O que “Margem de Lucro” NÃO diz sobre o seu negócio.

Todo trimestre, por força de lei as empresas listadas em Bolsa são obrigadas a publicar suas demonstrações financeiras em jornais de grande circulação do país. Essas demonstrações incluem essencialmente informações de “resultado”, de “caixa” e uma “fotografia” da empresa (o seu balanço patrimonial).

Recentemente, a maior locadora de veículos do país, “Localiza”, registrou fortes resultados, um lucro líquido do ano de 2015 de R$ 402 milhões frente a uma receita líquida de R$ 1.883 milhões, o que a levou a uma margem de lucro líquido de 21%.

Apesar desta excelente margem de lucro, executivos da companhia ainda citaram o péssimo cenário de retração da atividade econômica brasileira, que prejudicou os negócios.

Importante notar que a margem de lucro por si só não diz tudo sobre a rentabilidade do negócio, pois é preciso antes saber qual é o preço que se paga para se obter uma fatia dessa empresa e apenas então depois você deve fazer a conta: “dado o nível de receita dessa empresa, qual margem de lucro ela precisa ter para que eu tenha uma remuneração superior a, digamos, 3% a taxa de juro básica da economia?”.

Para complementar essa análise de rentabilidade, é essencial conhecer o retorno sobre o patrimônio líquido, em inglês chamado de return on equity (ROE).

Esse é um tipo de análise que você pode desenvolver para o seu negócio.

WGSA Wanderley Gomes

A inflação é um calote de parte da dívida pública

Qual é a relação entre a inflação e a dívida pública do Governo?

Resposta: a inflação, em outras palavras, pode ser entendida, como um calote da parte pré-fixada da dívida pública.

Definição — Inflação é aumento generalizado de preços na economia.

O consumidor perde poder de compra, com a mesma quantidade de dinheiro, digamos, “hoje ele tem comprado 20 itens no carrinho do supermercado em vez de 23 itens, como comprava no mês passado”. Esse é o efeito da inflação sobre a diminuição da cesta de compras de um consumidor em uma economia.

Já para o caso da dívida pública, considere que você seja um aposentado que investiu (adquiriu) em títulos públicos do Governo brasileiro ao longo da vida, e acumulou 500 mil reais em títulos pré-fixados (remuneração conhecida a priori) do Governo brasileiro.

Considere que a partir de certo período esta sua poupança rendeu juro de 14,25% (níveis atuais) e a inflação no Brasil foi de 15% (estamos quase lá, só faltam mais 5 pontos percentuais). Nesse caso, como a inflação superou sua remuneração nominal, você teve prejuízo em “termos reais”, em “poder de compra”. Ou seja, o Governo honrou com o compromisso nominal, mas como ele deixou a moeda perder valor, você perdeu poder de compra! Ele te deu um calote, ok?!

Finanças, Tributos e Contabilidade

WGSA Wanderley Gomes